ACESSIBILIDADE EM CONFERÊNCIAS E REUNIÕES

Descobri há alguns dias um documento em português com o título ACESSIBILIDADE EM CONFERÊNCIAS E REUNIÕES PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, tradução de um guia sueco da autoria do “Co-Operative Body of Organisations of Disabled People”, com indicações e normas para tornar as conferências e reuniões acessíveis a pessoas com necessidades especiais (deficiências visual, motora, auditiva, alergias diversas), de acordo com a Lei 1999/2000:79, do Governo Sueco e antecipando a presidência sueca da UE, em 2001. Esta lei, intitulada “Um plano nacional de acção para a política sobre deficiência”, aprovada no ano 2000,  previa um plano de acção no campo das acessibilidades a ser posto em prática até 2010, por referência  às “Normas das Nações Unidas sobre a Igualdade de Oportunidades das Pessoas com Deficiência”.

Transcrevo aqui algumas dessas indicações, aquelas que dizem respeito a pessoas com surdez/perda auditiva e que utilizam a língua portuguesa e a leitura labial (oro-facial) para comunicar. O texto integral pode ser consultado em: http://www.medicalplus-pt.com/conteudo/uploaded/videos/pdfs/Acess_Conf_Reun_Deficientes.pdf.

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1-ANTECEDENTES DA REALIZAÇÃO DE UMA CONFERÊNCIA OU DE UMA REUNIÃO

Primeiro, é necessário encontrar um local que seja acessível tanto no exterior como no interior.

Em seguida, a informação sobre a conferência, os convites e todo o material enviado e veiculado durante a ocorrência da mesma deve ser acessível a todos.

Pense no meio físico exterior

As passadeiras para e do centro de conferências devem estar equipadas com sinalética luminosa para pessoas com deficiência e diminuição auditiva.

UM “FOYER” (sala de convívio, sala de espera) PARA TODOS

Telefones devem possuir amplificadores de som para serem utilizados por pessoas com próteses auditivas.

Telefones de texto devem ser, igualmente, disponibilizados a fim de permitir a sua utilização por parte das pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

A SALA DE CONFERÊNCIAS

A acústica deve ser boa e dotada de um sistema sonoro volumétrico adequado. Permite que as pessoas com problemas auditivos participem nas comunicações e que dêem o seu contributo para os respectivos debates.

Um anel indutor permanente (anel de indução magnético) deve estar montado e a funcionar. Devem estar igualmente disponíveis microfones portáteis para que as pessoas com dificuldades auditivas possam participar nas discussões. A abrangência do referido anel indutor deve incluir o podium e o seu controlo deve estar assegurado no decurso da toda a conferência.

Caso sejam utilizados anéis indutores simultaneamente em vários locais diferentes, a distância entre as salas tem de ser suficientemente grande ou os anéis de muito boa qualidade para que não haja sobreposição ou cruzamento de sons.

A iluminação eléctrica na sala de conferências deve ser boa, porque favorece as pessoas com deficiência visual, os intérpretes de língua gestual e as que têm dificuldades auditivas e fazem a leitura labial.

Os conferencistas e os intérpretes devem ter focos de luz a incidirem sobre eles para que possam ser melhor vistos mesmo que se apague toda a outra iluminação.

TRABALHO DE GRUPO

As mesmas condições exigidas para as salas de conferências aplicam-se às salas onde se reúnem os grupos de trabalho durante a realização de toda a conferência, como atrás referido. As pessoas com deficiência devem poder participar e dar o seu contributo tanto no decorrer de toda a conferência, como quando integradas em grupos de trabalho ou em workshops.

ALGO MAIS A TER EM CONTA

Todo o outro espaço utilizado durante a conferência deve ser acessível tanto aos participantes como aos oradores. O organizador deve verificar se a sala de jantar, as salas destinadas ao intervalo das sessões e todos os outros espaços são acessíveis às pessoas com deficiência.

EM CASO DE EVACUAÇÃO

Saídas de emergência e indicadores de alarme devem estar equipados com sinalética luminosa. Quando existe motivo de alarme deve ser possível ver o modo de evacuação adoptado por forma a permitir às pessoas com deficiência auditiva ou com dificuldades de audição aperceberem-se de que as instalações estão a ser evacuadas. Isto aplica-se a todos os espaços: sala de conferências, salas destinadas ao intervalo, corredores, sanitários, quartos e salas de jantar.

Todo o pessoal deve ser altamente bem treinado em matéria de sinistralidade para que a evacuação de pessoas com deficiência resulte plenamente.

INFORMAÇÃO ACESSÍVEL

Todo o material utilizado antes, durante e depois da conferência deve ser acessível a todos. Isto inclui as transparências, os sumários e os diagramas; os textos escritos devem ser formulados por forma a facilitar a sua leitura e não devem conter “vocábulos difíceis” ou frases longas. A apresentação e explanação devem ser simples e claras.

No material impresso a impressão e o papel devem ser contrastantes, de preferência preto no branco (…) deve ser, igualmente, possível obter material em disquete.

A possibilidade de se solicitar material com antecedência é importante para pessoas que necessitam de mais tempo para ler. Portanto, torna-se imperativo encomendar material que pode ser utilizado antecipadamente no decurso da conferência.

O convite deve conter informação básica que seja importante para as pessoas com deficiência, como, por exemplo, a seguir se refere:

  • Que é possível obter material de conferência adaptado
  • Que é possível solicitar, com antecedência, o material
  • Que sejam reservados lugares na sala de conferências ou na sala de reuniões para as pessoas com limitações auditivas.

 

2-NO DECURSO DE UMA CONFERÊNCIA OU DE UMA REUNIÃO

No decurso de uma conferência é importante verificar se tudo está em conformidade com o que foi delineado e planeado. Todos tiveram lugares sentados para que pudessem tirar o maior proveito da conferência? O sistema de comunicação está a funcionar? E assim por diante…

PERÍODOS DE TRABALHO NÃO DEMASIADO LONGOS

Os períodos de trabalho da conferência não devem ser muito longos. Os intervalos devem mediar 15 minutos todas as horas. Este horário aplica-se, igualmente, ao trabalho de grupo. Eis algumas das razões que justificam estas pausas:

  • Pessoas a quem lhes foi atribuído intérprete devem poder descansar
  • Algumas pessoas necessitam de tempo e oportunidade para se familiarizarem com o material distribuído

 LUGARES SENTADOS PARA OS PARTICIPANTES

As pessoas que utilizam intérpretes devem estar sentadas para que tenham uma visão simultânea dos referidos intérpretes, dos oradores, da projecção das transparências e dos “écrans”. Isto aplica-se não só na sala de conferências como na sala onde se reúnem os grupos de trabalho.

O foco luminoso deve incidir sempre sobre os intérpretes, mesmo quando a luz na sala é difusa, por exemplo, durante a projecção de transparências. Hoje em dia existem projectores que são suficientemente potentes não havendo necessidade de iluminação redutora.

É importante para as pessoas com diminuição auditiva poderem fazer leitura labial. Portanto, devem ser-lhes reservados os lugares onde possam ver claramente o orador e a leitura labial seja assegurada durante toda a conferência.

O LUGAR DOS ORADORES

A iluminação com enfoque no orador deve ser contínua para que os intérpretes e as pessoas que fazem leitura labial possam vê-lo convenientemente.

O orador não deve estar de costas voltadas para o auditório para evitar que os intérpretes e as pessoas que fazem leitura labial deixem de poder compreender o que diz.

Oradores, intérpretes, projecção de transparências e/ou quadros devem ser vistos simultaneamente, caso contrário os surdos ou as pessoas com deficiência auditiva não podem receber a informação da mesma forma que as demais pessoas.

MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Os microfones devem ser sempre utilizados durante a conferência ou na reunião dos grupos de trabalho. Tudo deve ser veiculado através daqueles para que as pessoas que utilizam anel indutor possam receber da mesma forma a informação destinada a todos.

O orador deve possuir um microfone só para si, destinando-se os outros aos participantes que queiram tomar a palavra.

As transparências e o “quadro de projecções” devem ser colocados por forma a que os intérpretes e o orador possam ser conjunta e simultaneamente vistos pelos participantes.

Deve ser possível dispor do material utilizado pelos oradores, impresso, ou em disquete, por exemplo, as transparências, os sumários e os textos projectados no quadro.

 

3-APÓS A REALIZAÇÃO DA CONFERÊNCIA OU DA REUNIÃO

Como acontece com qualquer outro material, as actas e sumários da reunião ou da conferência devem ser disponibilizados e todos devem ter acesso aos mesmos. Este material deve ser oferecido aos participantes sob a forma pretendida – em disquete.

Avaliação

É importante elaborar conclusões sobre a conferência ou a reunião que chegou ao fim. Que acharam os participantes da acessibilidade? O que pensam os organizadores? O que é preciso melhorar até à próxima realização? De que informação necessita para a disponibilizar aos proprietários das instalações onde decorreu o evento? Como vai cooperar, no futuro, com as organizações de pessoas com deficiência no que se refere a estas questões?

~ por imisal - PORTUGAL em 07/07/2009.

2 Respostas to “ACESSIBILIDADE EM CONFERÊNCIAS E REUNIÕES”

  1. Oi, Sônia!
    Também eu estou contente por ter descoberto você e a comunidade SULP! Em Portugal, quando se fala em surdos, é também sobretudo nos surdos que utilizam língua gestual que se pensa; os surdos oralizados e os surdos pós-linguísticos raramente são tidos em conta, chegando mesmo a não ser considerados verdadeiros surdos, por algumas pessoas! Mais uma vez afirmo o direito de cada um à escolha do seu modo de comunicação e à necessidade de uma união entre todos os indivíduos que compões esse mundo heterogéneo da surdez!

  2. Inês, quando comecei a pesquisar o assunto (inclusão para surdos não sinalizadores) eu tinha a impressão que não não existia nada a respeito.
    Acontece que existia mas não despertava interesse dos promotores de acessibilidade para deficientes auditivos que numa atitude simplificadora consideravam que todo surdo usaria lingua de sinais ou gestual.
    Isto ainda ocorre no Brasil, a surdez é uma espécie de monopólio dos surdos sinalizadores, seus professores e intérpretes. São esses os representantes nas comissões oficiais e lamentavelmente muitas pessoas com acesso aos poderes públicos e às verbas ignoram a existência dos “outros surdos” ou seja os que usam aparelhos auditivos com proveito, os que usam implantes, os surdos oralizados e as pessoas que perderam a audição depois de aprenderem a ler e a falar.
    O resgate desses textos é um trabalho necessário e importante.
    Que bom ter encontrado em você uma companheira de pesquisas e troca de ideias. Abraços Sônia

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