•04/04/2014 • Deixe um Comentário

Fomos para aqui: http://tasquinhadolavaium.wordpress.com/

Sábado – Lançamento do DNO

•11/03/2014 • Deixe um Comentário

Deaftalks – 26 setembro – Lisboa

•15/09/2013 • Deixe um Comentário

Deaftalks - 26 setembro - Lisboa

nucleus 5

•01/09/2013 • Deixe um Comentário

Cochlear – Nucleus 5

1 mês

•01/09/2013 • Deixe um Comentário

Faz amanhã um mês que fui implantada. Aguardo ansiosamente a activação!

Testemunho para a OUVIR, em 2011, a pedido da Alice Inácio

•01/09/2013 • 1 Comentário

A minha entrada no mundo dos surdos e da surdez é uma história de dor, de perdas, de retrocessos, mas não é apenas isso: dela também têm feito parte descobertas, conquistas e lutas constantes, como na vida de todos, surdos e ouvintes, cegos ou não, deficientes motores ou não, deficientes mentais ou não, seres humanos, simplesmente. E digo, têm feito, não só por o processo ter começado há cerca de 5 anos, mas também porque a minha surdez é flutuante e tem sido progressiva.

Nunca estamos preparados para uma perda, ainda que ela seja mais ou menos previsível, muito menos quando ela surge do nada e traz por arrasto outras perdas, confrontando-nos com a nossa mortalidade, com os nossos limites, as nossas capacidades de luta, de persistência e de autoconhecimento.

O inicio da história é brutal, de uma brutalidade súbita e inexplicável, já que a primeira perda auditiva aconteceu de um dia para o outro, sem nada que o fizesse prever e ao fim de cerca de 40 anos como ouvinte; ironia do «destino», de ouvinte com «bom ouvido» para a música e para a aprendizagem de línguas estrangeiras! Adormeci como habitualmente, mas no dia seguinte, ao despertar, surgiu a perda auditiva à direita, acompanhada de síndrome vertiginosa. Algum tempo depois, iniciou-se a perda auditiva à esquerda, progressiva. Com a situação a persistir por alguns meses, a audição a diminuir, a percepção sonora da fala dificultada pelos ruídos constantes dentro dos ouvidos, o desequilíbrio na marcha a obrigar-me a recorrer a um braço amigo e a um esforço enorme para andar, melhor, para me arrastar aos ziguezagues, por entre corredores de hospitais na busca de uma explicação para o sucedido e de uma eventual cura, começou a tornar-se evidente para mim que «aquilo» não era provisório nem banal.

À perda auditiva seguiram-se outras perdas, já que a comunicação com os outros e a percepção do mundo se faz através dos sentidos e muito através dos sons: comecei a sentir o mundo a ficar mais distante, lá muito longe, tal como as vozes dos outros, e a sentir necessidade de recorrer a todos os meios ao meu alcance para compreender o que me era dito; dei por mim a pedir constantemente para repetirem o que diziam, a fixar-me na boca e nos gestos de quem falava, a escrever, a inventar gestos, a tentar decifrar por entre a amálgama de sons estranhos e muito diferentes dos que eu conhecia as perguntas, as respostas… Andar na rua passou a ser um desafio e um perigo constante, já que nem sempre me apercebia dos sons do trânsito e, por vezes, só dava pelos automóveis quando eles já estavam bem pertinho de mim. Deixei de reconhecer a minha própria voz, deixei de ouvir sons banais do quotidiano, o canto de um pássaro, o som do frigorífico, o «clic» da televisão quando se prime o botão, a minha respiração, a torneira que pinga e tantos outros que, de tão familiares, são remetidos para segundo e terceiro plano pelos ouvintes. O não perceber a música, o quase nem conseguir suportá-la, porque os sons me apareciam transfigurados, irreconhecíveis, incomodativos, foi das perdas mais dolorosas, tal como o ser forçada a parar a minha actividade profissional de vinte e muitos anos, já que nela a comunicação oral e a compreensão da fala e da leitura eram indispensáveis.

De repente, um bocado de mim tinha desaparecido e levado com ele parte da minha identidade e da minha vida – já não era eu e não me reconhecia na minha nova pele. Ao mesmo tempo que tudo isto acontecia, a novidade invadia a minha vida, embora durante algum tempo eu apenas visse as perdas e nem sequer vislumbrasse os ganhos e as descobertas: conheci muitas pessoas, outros surdos, médicos, técnicos de saúde, comecei a pesquisar incessantemente na Internet sobre a minha doença, sobre a surdez, a escrever e a ler muito mais do que era hábito, a entrar em contacto com pessoas de tantos sítios diferentes do mundo com as quais tinha em comum a perda de audição e/ou a doença, a ler blogues (alô, Alice, alô Lak, alô SULP…), a dar-me a conhecer, a fazer perguntas, a mostrar o que sentia, enfim, a abrir as janelas para o mundo e a ousar esticar mais e mais os meus limites, pelo menos aqueles que eu supunha serem os meus.

O uso das próteses auditivas, primeiro à direita, um ano depois também à esquerda, veio abrir novas possibilidades e permitiu-me o reencontro com alguns dos tais sons banais já esquecidos, bem como a percepção do que os outros diziam, em ambiente fechado e sem ruído. Reaprendi a ouvir, comecei a saborear cada som como se fosse novo, com uma alegria quase infantil, ao mesmo tempo que começava a aperceber-me das vibrações sonoras e a senti-las no meu corpo, e que expressões como «leitura labial» e «leitura oro-facial» se tornaram prática comum, ainda que de forma incipiente…

Logo que a recuperação física o permitiu, regressei aos estudos, com um objectivo determinado: vir a trabalhar com meninos surdos, conciliando a anterior experiência profissional com os novos conhecimentos, adquiridos pela vivência real da surdez e também pelo curso, nas áreas da surdez e da educação especial. E aí, de novo, o confronto entre a teoria e a prática, a aprendizagem dos tipos e graus de surdez, a etiologia da surdez, a cultura surda, a educação bilingue, a Língua Gestual Portuguesa, e tantas coisas mais, que me ajudaram a perceber o que se estava a passar comigo e que, afinal, se passava com muitas mais pessoas do que eu alguma vez tinha imaginado. O trabalho final que realizei neste curso possibilitou-me o contacto com outros adultos surdos pós-linguísticos, com a mesma doença que eu (Síndrome de Cogan, doença auto-imune sistémica rara, http://www.orpha.net/consor/cgi-bin/OC_Exp.php?lng=PT&Expert=1467), e saber como aconteceu a sua entrada no mundo da surdez, as suas reacções a isso e as estratégias que utilizaram para se adaptarem a uma nova existência.

Deste confronto entre o saber e o ser surgiram muitas mais perguntas, mas também algumas respostas e alguma reflexão. Descobri que efectivamente o ser surda é uma característica que possuo, mas que não é A característica que me define, assim como o facto de não ver bem ao longe também não chega para me definir enquanto indivíduo. Nós somos muito mais que o nosso corpo, somos o corpo e a mente, somos aquilo que nos acontece e o que fazemos a partir daí, somos um manancial de possibilidades que a vida, por vezes de forma muito dolorosa, se encarrega de nos fazer descobrir.

Estou hoje alguns passos à frente no caminho que iniciei há 5 anos e novos desafios sonoros poderão surgir (ou não) a qualquer momento, já que a perda auditiva, estacionária durante algum tempo, recomeçou. Sou quem era, mas não exactamente quem era, perdi e ganhei muito. No jogo da balança porém, o prato dos ganhos parece ser o mais pesado, pelo que ganhei de auto-conhecimento, de consciência das minhas fraquezas e das minhas forças e pelo mar infinito de possibilidades que se abriu à minha frente.

E, dado curioso, quanto menos oiço, maior a vontade de ouvir velhas canções e de conhecer novos cantores e novas melodias, de aprender outras línguas, (inspirada por surdos de longa data – alô Paula, alô Alice! – que sabem inglês, francês, espanhol e tocam instrumentos musicais, coisa para mim impensável há uns anos atrás!), maior o desejo de agarrar com as duas mãos tantos sons quantos nelas couberem e guardá-los na minha arca da memória auditiva, ali bem junto ao pensamento e ao coração.

Fisco esclarece avaliação de incapacidade de pessoas com deficiência

•21/05/2012 • Deixe um Comentário

Fisco esclarece avaliação de incapacidade de pessoas com deficiência

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